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Linguagem inclusiva na Odontologia!

No dia 26 de setembro é celebrado o Dia Nacional dos Surdos. A data foi instituída pela Lei 11.796/2008 com o objetivo de promover a reflexão e o debate sobre os direitos e a luta pela inclusão das pessoas surdas na sociedade. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) destaca a importância do atendimento acolhedor, por meio, inclusive, de técnicas e recursos que garantam o bem-estar do paciente com surdez.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1,5 bilhão de pessoas experimentam algum grau de deficiência auditiva. No Brasil, aproximadamente, 5,8 milhões de pessoas possuem algum grau de surdez, segundo o Ministério da Saúde. 

   

Alguns locais de atendimento (público e privado) contam, por exemplo, com profissionais da saúde habilitados na linguagem de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, usada por surdos e legalmente reconhecida como meio de comunicação e expressão.

A comunicação com paciente surdo, inclusive no âmbito do atendimento odontológico, envolve técnicas como sentar-se frontalmente a eles, de forma que esse paciente identifique o profissional e consiga registrar as expressões faciais e a linguagem gestual dele como forma de comunicação. Além de técnicas como essa, a possibilidade de comunicação com o paciente surdo por meio de Libras viabiliza um atendimento mais acolhedor com maior troca entre paciente e profissional, como relata a Auxiliar de Saúde Bucal (ASB) e intérprete Sandra Elena Ferraz. 

        

“Na verdade, trata-se de uma língua que, se for traduzir ao pé da letra, vira um português sinalizado. E, para o bom entendimento do surdo, ela tem sua própria gramática! O surdo é visual, quando fazemos um classificador ele entende melhor! Classificar, no caso, é transformar o que queremos falar em uma cena. Assim, fica muito fácil para ele entender”, explica ela.

Acolhimento

A intérprete relata que, quando os pacientes surdos percebiam que ela se comunicava em Libras, ficavam muito alegres e se sentiam realmente acolhidos. “No consultório, como só eu sabia Libras, pedia para que o surdo sempre avisasse algum desconforto e transmitisse para o Cirurgião-Dentista. Nas palestras nas escolas, treinei os agentes de saúde sobre prevenção e, enquanto eles transmitiam, eu ficava do lado traduzindo”.

Ainda sobre o atendimento no consultório, Sandra lembra que, na época, poucas pessoas sabiam Libras. “Ali, numa região periférica, a família às vezes não dispunha de meios para levar a pessoa surda nas devidas escolas. Por isso, muitas vezes nem o surdo conhecia a linguagem de sinais. Então, formávamos um grupo de pacientes que só sabiam sinais mais simples e trabalhávamos uma forma para que eles também entendessem a comunicação”.

Além de acolher pacientes da área odontológica, a profissional auxiliava no atendimento aos pacientes surdos em outros setores. “Fazia por puro prazer de ajudar os surdos, pois, devido à amizade com muitos deles, sempre soube das dificuldades”.

  

Sandra celebra os avanços na área de linguagem por sinais. Segundo ela, a existência de intérpretes, por exemplo, facilitou e melhorou muito a vida dos surdos. Porém, acredita que é necessário avançar mais neste sentido. “Seria de suma importância que todos conhecessem Libras. Além disso, é preciso estudar sempre. Os sinais também são atualizados e é necessário acompanhar as mudanças”. 

Experiências

A Técnica em Saúde Bucal (TSB), estudante de Odontologia e membro da Câmara Técnica de ASB e TSB do CROSP, Maria Gorett Reis, também compartilha sua experiência com Libras no consultório odontológico. De acordo com ela, quando o paciente surdo vai até um atendimento é um verdadeiro caos porque as pessoas não estão preparadas para receber um paciente com essa necessidade e, algumas vezes, não conseguem resolver o problema.

“É um transtorno para ambas as partes: o atendente tenta de várias maneiras se comunicar por gestos, mímicas, bilhetes, celular e até aos berros. Nesse sentido, não podemos esquecer que existem, por exemplo, os surdos bilíngues, que fazem leitura labial e libras, os surdos que são educados em libras e não sabem ler lábios, aqueles que oralizam e os que têm deficiência múltipla, como surdos-cegos”.

A Técnica em Saúde Bucal lembra que, de acordo com o último censo, existem no Brasil mais de 10 milhões de surdos, os quais enfrentam dificuldades para o acesso ao serviço básico. Ela acrescenta, ainda, que as escolas bilíngues (português e Libras) são poucas, e a inclusão da Linguagem Brasileira de Sinais em escolas regulares ainda não se tornou uma regra, assim como na saúde.

   

“Eu tenho uma filha com deficiência auditiva e, por isso, aplico no meu trabalho a linguagem de sinais quando necessário. É imensurável a alegria que o surdo tem quando se encontra com outro surdo ou uma pessoa que se comunica pela mesma linguagem. Comparo com uma pessoa que precisa, por exemplo, viajar para a China e ficar lá por algum tempo, mas não sabe falar a língua, e um dia encontra outro brasileiro. Imagina a sensação! É a mesma do surdo de se sentir em casa, ser acolhido com carinho”.

O Decreto-lei n° 5.626 fala sobre o direito à saúde de pessoas surdas ou com deficiência auditiva no SUS, contando com profissionais do ramo capacitados para o uso de Libras ou para interpretação e tradução para a pessoa surda. Pensando nesse aspecto, Goretti considera que o matriciamento (modo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de construção compartilhada criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica) dos profissionais de saúde deveria ser levado mais a sério, e não ser tratado apenas como horas complementares.  

  

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