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CROSP cria Grupo de Trabalho de Humanidades em Odontologia

O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) acaba de compor mais uma equipe: o Grupo de Trabalho de Humanidades em Odontologia (GTHO), criado com o intuito de oferecer subsídios para melhorar a relação e atuação do Cirurgião-Dentista com seu paciente, por meio do estudo das ciências humanas, literatura e artes aplicadas no âmbito da saúde.

O Cirurgião-Dentista e presidente do grupo, Dr. Marcelo Marcucci, explica que, por meio da criação do GTHO, o Conselho torna-se pioneiro na discussão sobre este tema tão relevante nas comunidades de saúde: “Trata-se de uma área que está crescendo muito nos últimos anos”.  

O especialista esclarece que, de forma institucional, o olhar da Odontologia para as Humanidades ainda é muito incipiente, pois existe pouco material específico direcionado para a área. Contudo, ele ressalta que nas outras profissões de saúde o debate está mais avançado. Por isso, o principal objetivo é trazer e utilizar esses conceitos para o ponto de vista da Odontologia e em benefício do profissional da área e do Conselho.  

Definição

Dr. Marcelo explica que as Humanidades, tanto na Medicina como na Odontologia, compreendem uma intersecção de conceitos entre as ciências da saúde e as ciências humanas. Por meio dela, são captados elementos da Antropologia, da Filosofia, da Sociologia e da História.

Além das ciências humanas, são utilizados também pontos da literatura e das artes. “São elementos formadores da personalidade humana, do relacionamento humano que, uma vez aplicados ao profissional, fornecem a ele subsídios e instrumentos para que possa melhorar suas relações no trato com os pacientes. O objetivo final dessa grande área de trabalho é, primeiramente, combater uma industrialização do sistema de saúde, evitar que o paciente seja apenas um mero receptor de procedimentos e melhorar a qualidade da relação entre paciente e profissional”.

Segundo o especialista, é necessário entender o paciente dentro de um contexto mais integral, compreender suas expectativas, ansiedades, seu estilo de vida, o meio social em que vive, seus medos e, eventualmente, suas dúvidas éticas sobre determinados procedimentos. “Para ajudar nisso, nós retiramos ensinamentos das ciências humanas, da arte e da literatura, pois a arte e literatura funcionam como um espelho das representações humanas”.

O Cirurgião-Dentista toma como exemplo a literatura como ferramenta para a melhoria das experiências de relacionamentos entre as pessoas. “Quando lemos um livro clássico, por exemplo um romance, nos transportamos para uma realidade ficcional ou não, criada pelo autor – que muitas vezes pode trazer elementos e subsídios para trabalhar a realidade com o paciente. Ela aumenta a capacidade de empatia, de socialização, de resolução e de gerenciamento de conflitos. Muitas vezes o profissional se depara com uma situação semelhante, e isso pode ajudar a transportar essa realidade para o dia a dia. A literatura pode dar insigths de como as pessoas se relacionam e como a sociedade funciona”.

Dr. Marcelo explica que a Antropologia ajuda a trabalhar as particularidades das pessoas. Ele observa que a percepção de um paciente religioso, indígena ou oriental não é a mesma dentro do consultório. De acordo com ele, é preciso pensar se esses diferentes pacientes entendem o que está acontecendo durante o procedimento, quais as expectativas, anseios e medos, ou, ainda, como tratar um paciente que está em estado terminal. “Esse grupo pretende justamente fornecer subsídios para o Cirurgião-Dentista na sua prática diária. A abordagem e percepção de um paciente jovem e a de um paciente japonês idoso, por exemplo, podem ser bastante diferentes, e temos que entender esta realidade”, pontua.

Segundo o Dr. Marcelo, o Cirurgião-Dentista é geralmente um profissional muito focado no procedimento, na técnica, e se preocupa em fazer isso muito bem; contudo, o ser humano em si acaba ficando num plano paralelo. Neste contexto, ele reforça que o paciente é um conjunto e deve ser visto desta forma. “Não é que o profissional abandone o paciente nesse sentido, mas ele pode não saber muito bem como lidar”.

Ampla participação



Além de apresentar aos profissionais da Odontologia o novo Grupo de Trabalho do CROSP, o especialista convida os Cirurgiões-Dentistas interessados a se juntarem ao movimento, inclusive, como membros. Atualmente, compõem o GTHO a Dra. Ana Lia Ambinder e a Dra. Maria Elvira Pizzigatti Correa.

Mais do que promover a divulgação do grupo, o próximo passo inclui a criação de um cronograma de atividades que incluam elementos de arte e literatura, as quais visem a humanização e despertem no profissional um sentimento de cuidado maior na relação com o paciente. “Não se trata de despertar para uma humanização superficial, de receber e chamar o paciente pelo nome, oferecer cafezinho, não é apenas um acolhimento superficial, mas realmente trazer subsídios para que a relação seja mais empática e verdadeira, de um cuidador de saúde mesmo, não apenas de um executor de procedimentos – como geralmente a gente acaba sendo”.

O especialista conclui enfatizando que é importante pensar como a pessoa enxerga o mundo e a relação com o profissional. Tudo isso, de acordo com ele, gera uma série de problemáticas que o grupo de trabalho vai expor para sugerir instrumentos ou meios para que o Cirurgião-Dentista possa, ao menos, refletir.

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